introdução
Estudante, o mercado é um ambiente competitivo, e as organizações precisam estar constantemente melhorando seu desempenho, otimizando processos, reduzindo custos e agilizando tarefas. A presente aula trata dos sistemas de produção. Um sistema de produção é formado por uma junção organizada de informações, maquinário e pessoas, interligados de forma racional e sincronizada, com o objetivo de produzir bens ou serviços. A maneira como esses elementos são coordenados impacta de maneira direta nos resultados almejados por esses sistemas.
O aumento da produtividade é essencial na manutenção da competitividade das empresas, e entender os modelos e operações dos sistemas de produção vai lhe permitir analisar e influenciar nos resultados das organizações de forma holística, uma vez que esse é um dos setores de maior possibilidade para interferência e otimização, devido ao fato de estar conectado a praticamente todos os setores da empresa. Dessa forma, utilize nossos materiais e aprofunde seu conhecimento sobre o tema. Bons estudos!
Sistemas de produção: conceitos
Sistemas podem ser entendidos como uma junção de processos e componentes que se relacionam uns com os outros, trabalhando em sincronia e buscando um objetivo comum. Essa sinergia recebe insumos e produz resultados, em uma sequência organizada de transformação. Sua abordagem concentra-se, a partir de um objetivo comum, na relação entre a totalidade do sistema e nas partes que o constituem (ANTUNES, 2011).
Exemplificando
Uma metáfora interessante para compreender um sistema é imaginá-lo como uma teia de uma aranha. As teias são uma “rede” complexa, uma imagem do todo. Entretanto, esse todo é formado por diversas partes menores, seus fios, que, a partir de uma junção organizada e em comum objetivo, resultam na teia como a conhecemos. Cada fio que passa pela teia exerce uma função e, ao mover um só fio, consegue interferir em toda a “rede”, uma vez que cada parte dela corresponde em sinergia ao todo. Da mesma forma, mudando um componente ou processo de um sistema, pode-se interferir no seu resultado geral, pois é exatamente a relação entre os processos e componentes em sinergia que produz o resultado esperado.
Diante disso, pode-se entender que o sistema de produção é a forma com que as organizações criam e entregam seus serviços e produtos. Praticamente tudo aquilo que você utiliza, veste, come, assiste e, até mesmo, para ler esse conteúdo, chega a você graças a um sistema de produção, que organiza, produz e distribui. A área responsável por cuidar dos sistemas de produção é conhecida como gestão da produção ou administração da produção. Essa área busca gerenciar os recursos que permitem a criação e entrega de serviços e produtos. Todas as empresas possuem uma função produção, isso tem de ocorrer devido ao fato de que todas as organizações produzem algum tipo de serviço ou produto. Entretanto, algumas organizações podem utilizar diferentes conceitos para nomear os sistemas de produção, usando termos como “operação”, “produção”, “função produção”, entre outros (SLACK et al. 2018).
Entender os sistemas de produção tornou-se essencial para o desenvolvimento das organizações. As indústrias desenvolveram-se, com o passar das décadas, e a realização de investimentos em equipamentos, tecnologia e processos criou a necessidade constante de aprimoramento e busca por novos conceitos, métodos e técnicas de produção para otimizar os sistemas produtivos dentro de um mercado competitivo (ANTUNES, 2011). Conhecer os sistemas de produção, suas vertentes e processos vai lhe permitir, enquanto profissional, interferir de maneira direta nos resultados das empresas. Esses conhecimentos permitem tomar decisões baseadas nas informações das organizações, em busca da otimização de seus processos, reduzindo custos, desperdícios e tempo de preparação das máquinas (setup), além da possibilidade de aumentar a capacidade produtiva, fazendo mais com menos.
Assimile
Tal perspectiva pode ser identificada em diversos setores de fabricação, como o automobilístico, de peças e bens de consumo duráveis, que se consolidaram no mercado competitivo de maneira sólida, amparando-se na qualidade de seus produtos e processos, buscando sempre a otimização e flexibilização de suas operações (ANTUNES, 2011).
Para esclarecer os conceitos abordados, observe a Figura 1. Ela apresenta um esquema que ajuda a compreender os aspectos, os processos e os recursos que fazem parte da cadeia produtiva, demonstrando as fases, direções e conexões esboçadas em um sistema de produção.

videoaula: Sistemas de produção: conceitos
Este vídeo vai ajudar a entender, de maneira mais ampla, os conceitos e modelos clássicos que influenciaram e ainda influenciam a forma como os sistemas produtivos se encontram na atualidade, permitindo compreender as perspectivas de produção, operações, melhorias e ferramentas necessárias a um profissional gestor da qualidade nos sistemas de produção. Vamos entender mais sobre isso?
Videoaula: Sistemas de produção: conceitos
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O modelo produtivo: taylorismo
Os sistemas de produção têm passado por várias fases de inovação. Durante esse período de evolução, encontram-se uma variedade de conceitos e inovações valiosas na gestão na produção. Estudar e compreender a importância dos diferentes tipos de modelos de produção e seu desenvolvimento histórico servirá como um importante guia para direcionar a concepção ou reformulação dos sistemas de produção atuais, porque as evoluções estabelecidas por eles servem de alicerce para os sistemas atuais, por isso, não se deve ignorá-los. Dessa forma, para que a otimização dos processos não aconteça simplesmente por imitação, mas através da essência dos novos sistemas em relação às particularidades e demandas de produção relacionadas a cada empresa, faz-se necessário compreender as diferentes filosofias entre as produções tradicionais e as novas (SHINGO, 2017).
Para entender esses modelos, precisamos destacar a visão sistêmica que foi essencial no desenvolvimento do capitalismo estadunidense, um modelo produtivo que se concentrou na lógica das operações, focando de maneira direta na melhoria do trabalho dos colaboradores e na otimização dos equipamentos, trazendo resultados através da ampla melhoria nas operações. Essa tarefa de desenvolvimento ficou conhecida como “ciência do trabalho”. Tal sistema foi basicamente desenvolvido nos Estados Unidos, por expoentes, como Frederick W. Taylor (no qual se concentra esse bloco) e o casal Gilbreth e Henry Ford (que será abordado no terceiro bloco desta aula) (ANTUNES, 2011). Entretanto, cabe ressaltar que esse movimento de evolução produtiva ocorreu de forma geral e contou com nomes menos famosos que também fizeram parte e ajudaram a construir as perspectivas do modelo em questão.

A partir desses avanços relacionados à “ciência do trabalho e da produção”, pode-se dizer que ocorre a passagem do “caos” para a lógica organizada dos “sistemas de produção”.
Racionalização da produção e gestão da produção
O movimento descrito anteriormente deu conta de duas linhas que se entrelaçam e são centrais para seu desenvolvimento. A primeira diz respeito à “racionalização da produção”, sendo expressa através da tecnologia ligada à produção civil, à tecnologia mecânica e outras. A segunda linha destaca-se a partir da “gestão da produção” (tecnologia e gestão) (ANTUNES, 2011).
No que diz respeito à primeira perspectiva, de racionalização da produção, os aspectos associados à padronização dos processos apresentam-se como principal preocupação. Buscou-se padronizar as peças, parafusos, nomenclaturas, projetos de produto e outros componentes. Essa ação foi, de fato, fundamental, pois, com ela, pode-se desenvolver o processo de “intercambialidade de peças”, conceito que foi primordial para o desenvolvimento da produção em massa. Essa racionalidade da produção ficou conhecida como “administração científica” e teve como seu principal expoente Frederick W. Taylor.
A criação da chamada “administração cientifica”, por outra vertente, influenciou na criação de uma gama de gestores profissionais, que teve como função primordial gerenciar e padronizar os conhecimentos anteriores acumulados, que anteriormente só eram acessíveis pelo coletivo de trabalhadores. Com isso, permitiu-se ampliar de forma substancial a lógica da divisão de trabalho, uma vez que os processos realizados passaram a ser documentados e padronizados (TAYLOR, 2019).
Videoaula: O modelo produtivo: taylorismo
Este vídeo vai os ajudar a entender a visão do modelo produtivo taylorista. Esse modelo possui uma visão econômica voltada para a “alta produtividade, baixos custos e altos salários”. Taylor propôs uma divisão de trabalho a partir da lógica de “um homem, um posto, uma tarefa”, definindo a produtividade a partir da divisão entre a produção física e o tempo de produção, obtendo uma determinada quantidade de produção em um dado período de tempo estabelecido (TAYLOR, 2019).
Videoaula: O modelo produtivo: taylorismo
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O modelo produtivo: fordismo
A manutenção de uma visão abrangente é imprescindível para possibilitar a análise e identificação das relações entre as otimizações obtidas nos diferentes modelos produtivos e a forma como um sistema complementa outro, através do conhecimento do contexto histórico dos sistemas de produção, pois, sem o conhecimento da forma com que essas alterações se constituíram, com o passar do tempo no contexto organizacional, as características de diferentes sistemas podem anular umas às outras. Essa análise deve ser realizada levando em consideração os ônus e bônus dos princípios organizacionais dos modelos passados, de forma a fazer as vantagens se estabelecerem de maneira relevante, minimizando suas desvantagens (SHINGO, 2017).
Tendo isso em contexto, e já tendo esclarecido os aspectos e peculiaridades referentes ao modelo taylorista de produção, a partir daqui, trataremos de outro modelo produtivo de extrema importância no contexto histórico e na evolução dos sistemas de produção, o modelo fordista de produção. Como citado anteriormente, o casal Gilbreth e Henry Ford teve participação importante no desenvolvimento da chamada ciência do trabalho e da produção, que contribuiu para o desenvolvimento do capitalismo estadunidense.
Henry Ford explicitou e tornou ainda mais acentuada a visão econômica de Taylor, sustentada na “alta produtividade, nos baixos custos e nos altos salários. Ford estabeleceu-se através de sua concepção de “produção em massa de automóveis, destacando-se no entendimento de que seus colaboradores eram potenciais compradores daquilo que produziam. O modelo fordista deu continuidade à lógica de “um homem, um posto, uma tarefa” exercida de dentro de um contexto de produção diferente, a partir de um contexto de linha de montagem (ANTUNES, 2011).
Assim como Taylor, Ford tinha como premissa básica de seu sistema produtivo ampliar a integração dos postos de trabalho, pensamento que atingiu o ápice da sua expressão a partir da linha de montagem fordista. A origem da linha de montagem se dá dentro de um contexto de necessidade identificada no chão de fábrica. Havia dificuldades na movimentação das peças de grande porte, cujo manejo exige demasiado esforço. A partir da busca por melhorar um problema relacionado às operações de transporte de peças e fluxo de materiais, originou-se a linha de montagem, que obteve sucesso substancial no fluxo de materiais nas fábricas de automóveis (SORENSEN, 1956).
A procura pela otimização dos processos está enraizada na perspectiva fordista. Um capítulo inteiro da obra Hoje e amanhã, de Ford, foi voltado para análise das perdas nos sistemas produtivos. Ford (1927) destaca que a disponibilidade dos recursos naturais em relação às necessidades das indústrias americanas era ampla, à época. Dessa forma, o pensamento difundido era que “nada valiam”, somente adquirindo importância na medida em que chegavam nas indústrias.
Sendo assim, Ford estabeleceu um ponto central para tratar a noção de desperdício: a necessidade de análise do trabalho dos indivíduos. Segundo o precursor da linha de montagem, era imprescindível economizar material, o que era difícil devido ao pensamento da época (citado no parágrafo anterior). Todavia, essa economia seria crucial na medida em que essas matérias estivessem associadas diretamente à quantidade de trabalho humano necessária para transformar esses insumos em produtos acabados. Assim, Ford entendia a importância em considerar os materiais como parte do processo de trabalho, despendendo mais cuidado em relação a eles (FORD, 1929).
videoaula: O modelo produtivo: fordismo
O vídeo dará prosseguimento aos modelos produtivos clássicos, criando uma conexão do modelo de produção taylorista com o modelo fordista. Entender esse processo de transição e as perspectivas por trás desses sistemas vai permitir uma melhor análise da qualidade dentro da gestão da produção, uma vez que muitos dos avanços e melhorias nos processos produtivos se deram a partir dessas perspectivas.
Videoaula: O modelo produtivo: fordismo
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Estudo de caso
Taylorismo ou fordismo: os impactos de uma ação estratégica
O pioneiro daquilo que, hoje, é conhecido como Administração Científica foi Frederick Winslow Taylor. Nascido em 1856, na Pensilvânia, Estados Unidos, Taylor iniciou sua carreira em 1878, na Midvale Steel Works, onde iniciou o experimento de suas teorias. Após aplicar suas ideias em algumas empresas industriais com grande sucesso, em 1911, Taylor publicou Principles of Scientific Management, onde descreveu os seus princípios e técnicas mais importantes, com base em seus experimentos. Em seus estudos, as principais contribuições foram:
• Padronização e produção em série como condição para a redução de custos e elevação de lucros.
• Trabalho de forma intensa, padronizado e fragmentado na linha de produção, proporcionando ganhos de produtividade.
• Análise dos processos produtivos dentro de uma empresa com o objetivo de otimização do trabalho.
• Especialização do trabalhador.
• Adoção de métodos para diminuir a fadiga e os problemas de saúde dos trabalhadores.
• Remuneração que atendesse às necessidades dos trabalhadores.
Henry Ford (1863-1947), maquinista estadunidense que transformou a história da indústria, em especial da automobilística, mesmo frequentando a escola de forma irregular por apenas 8 anos. Em 1903, fundou a Ford Company e, no século XX, promoveu uma grande inovação: a produção em massa do automóvel, produto, antes, artesanal e destinado às classes altas. Desde a criação de sua fábrica de carros, Ford já utilizava os princípios criados anteriormente por Taylor. As principais contribuições do Fordismo foram:
• Intensificação: o objetivo era reduzir o tempo que se levava para produzir um produto através da utilização de meios adequados e, dessa forma, fazer com que ele chegasse rapidamente ao mercado. Com essa ideia em mente, Ford desenvolveu a linha de montagem móvel, na qual o trabalho vai até o trabalhador (a famosa esteira de produção).
• Economicidade: tinha como meta fazer com que as empresas reduzissem ao mínimo seus estoques. Neste princípio, foram trabalhadas as questões da integração vertical (quantas etapas um produto passa até chegar ao consumidor) e da integração horizontal (número de centros de distribuição espalhados geograficamente com o intuito de facilitar e agilizar a distribuição do produto).
Com base nos conhecimentos adquiridos na aula, coloque-se na função de líder de produção de uma fábrica de carros. Atualmente, seus superiores estão se queixando do baixo volume de entrega da linha de produção. Os problemas ainda não foram identificados, porém a meta de produção estabelecida pelo setor estratégico é de 200 carros por semana, totalizando uma média de 800 por mês. Entretanto, a fábrica está entregando uma média de 600 carros ao mês, fato que está incomodando a gerência da organização. Na reunião de planejamento estratégico, foi ressaltado que a empresa possui um fundo de reserva para investimentos, porém deverá ser usado em momento oportuno, otimizando e maximizando as possibilidades diante do capital reservado. Além disso, ficou definido que se permaneceria com o modelo produtivo atual, que não possui uma padronização geral dos processos, fragmentando os resultados, uma vez que cada trabalhador acaba atuando da forma como entende ser a melhor. Essa decisão foi tomada por precaução econômica, os diretores são conservadores e preferem não arriscar novos modelos produtivos por medo de não terem retorno com os investimentos necessários. Na última reunião, seu chefe disse que você deveria apresentar uma solução prática, e que você teria autonomia para gerenciar todas as etapas desse processo produtivo. Quais seriam as medidas que você poderia adotar para aumentar o volume de entrega mensal e garantir uma linha de produção mais otimizada?
Resolução do Estudo de Caso
Embora estejamos em um momento de extremo avanço tecnológico nas linhas produtivas, muitas organizações ainda possuem uma gestão arcaica e dificuldades produtivas, principalmente em países como o Brasil, que tem como centro da balança comercial a produção agrícola, o que acaba por restringir investimentos mais arrojados em tecnologias industriais. Entretanto, as especificidades de cada modelo estudado na aula (taylorismo e fordismo), mesmo tendo sua origem em um período passado, ainda servem de base para otimizar e tomar decisões assertivas nos processos produtivos atuais. Suas bases permitem entender a lógica produtiva através de um prisma de otimização e redução de custos, pontos que são fundamentais para a sobrevivência em um mercado competitivo.
Para resolver o problema destacado no estudo de caso, o primeiro ponto é a análise do ambiente onde você trabalha. Ou seja, as características da organização na qual o problema se apresentou.
Nas análises do problema, fica perceptível que a gestão estratégica da empresa é conservadora e não adota medidas estratégicas necessárias para a produção. Enquanto esperam um volume de produção de 800 carros ao mês, permanecem sem um modelo padronizado de produção, sendo assim, fica difícil manter um fluxo contínuo de produção, uma vez que os processos produtivos são executados em diferentes formas.
Baseando-se nos conceitos de Taylor e Ford da administração científica e da linha de produção, elabore um plano para padronizar os processos produtivos, buscando otimizar o trabalho dos operadores, organizando-os de maneira sincronizada e em uma ordem lógica de montagem das peças.
Marque outra reunião com os gerentes, demonstre a eles, baseando-se nos conhecimentos dos modelos de produção de Taylor e Ford, que investindo em pontos estratégicos da produção, adotando um modelo de gestão cientifica e amparados por indicadores, será possível alcançar o volume de produção almejado e, até mesmo, ir além.
Resolução do Estudo de Caso
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Saiba mais
Uma excelente forma de aprimorar seus conhecimentos a respeito dos sistemas de produção é o livro de Junico Antunes: Sistemas de Produção.
O livro realiza com maestria uma síntese das cadeias produtivas no cenário brasileiro.


